Atualizado em 27/04/2020

Até o presente momento que comecei a escrever esse texto, 87.706 208.131 mil pessoas morreram por Coronavírus no mundo. (Saiba os dados atualizados aqui). É um número imenso e horrível, que gera muita comoção. Mas o número de pessoas que morriam no mundo antes/durante/depois do Coronavírus sempre foi muito mais assustador que isso e não estávamos muito preocupados.

800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Só desde 1º de janeiro de 2020, 290 345 mil pessoas já cometeram suicídio. Mais de 289 mil pessoas morreram de doenças cardiovasculares em 2019. 7,6 milhões de pessoas no planeta morrem em decorrência de câncer todos os anos, mais de 2 2,5 milhões já morreram esse ano. 445 541 mil já morreram por AIDS esse ano também e 265 316 mil por malária. 365 435 mil pessoas morreram por acidente de avião.

Esses foram alguns exemplos. Segundo o Worldometer, quase 16 19 milhões de pessoas já morreram esse ano (em 3 meses e 8 27 dias), até o momento da publicação do texto, no mundo. Tirando os casos de coronavírus, ainda seriam quase 16 milhões.

Isso não significa que devemos ignorar o Coronavírus. Claro que não. Trata-se de uma pandemia e todos os esforços devem ser direcionados a ela enquanto durar.

Porém, ao nos chocarmos com o número de mortes de vidas humanas agora, temos que ter noção que muuuuuuuito mais mortes acontecem todos os dias e nós nem sabemos. O jornal não publica um relatório diário desses óbitos como faz agora no meio do Coronavírus. Então, talvez pareça que essa movimentação de morte já não aconteça com excessiva frequência.

Em contrapartida, quase 38 251 milhões de pessoas nasceram até o presente momento de publicação deste texto (os números não param de crescer a cada segundo). É mais que o dobro de mortes. Ou seja, tem muito mais vida chegando que indo.

Cada vida tem seu valor. Cada morte tem seu valor. Cada sofrimento tem seu valor. Mas esse ciclo não é novo, não é do coronavírus, sempre aconteceu. A diferença é que o mundo parou pra assistir, parou pra olhar, parou pra enxergar. Todo um aparato foi projetado para evitar essas mortes. Imagine se fosse assim na vida cotidiana e não só nos tempos de pandemia?

Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), as maiores causas de morte no mundo em 2018 foram por cardiopatia isquêmica, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica, infecções das vias respiratórias inferiores, alzheimer e outras demências, câncer de pulmão, traqueia e brônquios, diabetes mellitus, acidentes de trânsito, diarreias e tuberculose.

Logo se vê que as medidas a serem tomadas para evitar essas principais mortes seriam o cuidado pessoal com a saúde, a disponibilidade de acesso a saneamento básico, educação e a saúde; e o avanço da ciência. Restringindo apenas a essa preocupação crucial, o quanto fazemos como sociedade para a melhora desses quesitos?

Muito desse progresso está na mão dos gestores públicos, então como somos nós quando estamos nessa função? E quando não estamos, em quem votamos, quem escolhemos? O quanto cobramos desses profissionais? Que moral exigimos que nós/eles tenham?

Mas, além disso, a realização da nossa parte como cidadão é essencial para a boa vivência em comunidade. É um ótimo momento, para quem estiver em casa com mais tempo livre, para refletir sobre os próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos, sobre o que pode e o que não pode fazer a respeito do mundo ao nosso redor.

Estamos num momento de dor, mas sempre estivemos. A dor é necessária para a mudança e o avanço. De alguma maneira, todo esse sofrimento vai valer a pena. Da mesma forma que a natureza de renova, nós também nos renovaremos pois somos feitos de natureza.

Imagem: Kara Rosenlund

Escrito por Sarita Deoli

Nordestina, advogada e graduanda em psicologia. Criou o Trago o Sol para falar sobre as relações do ser humano com si mesmo e com o mundo. Acredita no valor do autoconhecimento e do conhecimento em si. Tem mais esperança do que antigamente e insiste que não está aqui só de passagem.

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